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A dor neuropática existe e deve ser diagnosticada e tratada! Este é o novo lema da Associação Portuguesa para o Estudo da Dor, que está de parabéns pela fantástica campanha de divulgação, visualmente muitíssimo bem conseguida, que tem levado a cabo. Revistas, televisões e jornais são o palco desta campanha que permite sensibilizar para o conceito de dor neuropática.
Mas o que é afinal esta dor?
É uma dor crónica (com duração superior a um mês), resultante de uma lesão nervosa central ou periférica, isto é, a nível do sistema nervoso central (cérebro e medula espinhal) ou dos nervos, com diversas etiologias. Nesta dor, não há propriamente um estímulo nociceptivo e, por isso, a dor não tem um carácter protector ou de alarme (como a dor aguda). É uma dor mal localizada ou difusa e que pode ter diversos padrões de apresentação: em queimadura ou ardor (mais frequente nas lesões de fibras nervosas finas), em picada, em formigueiro ou dar a sensação de choques eléctricos (fibras nervosas grossas).
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Na base podem estar doenças degenerativas como a esclerose múltipla, traumatismos ou acidentes de viação, cirurgias, amputações (a dor do membro fantasma, em que uma pessoa a quem foi amputado o braço direito, por exemplo, sente dor como se fosse nesse braço, apesar dele não lá estar), a neuropatia diabética, nevralgia pós-herpética (dor que surge após episódios de zona e afecta a mesma região ou dermátomo), lombalgia, alcoolismo e deficiências nutricionais.

É fundamental a procura de um médico, preferencialmente um especialista, visto que actualmente existem diversos hospitais que dispõem de Consulta da Dor. Esta dor, apesar de crónica, pode e deve ser tratada.
Entre as hipóteses terapêuticas, encontram-se as seguintes:
- anticonvulsionantes, também usados na epilepsia (carbamazepina, lamotrigina) - diminuem a actividade eléctrica nervosa e, assim, inibem a transmissão do impulso da dor
- anestésicos (ropivacaína, cetamina)
- antidepressivos (amitriptilina, imipramina) - são estimuladores de vias que inibem a transmissão da dor e, simultaneamente, actuam no estado depressivo causado pelo sofrimento doloroso
Em casos mais graves, pode mesmo recorrer-se à cirurgia, com a colocação de eléctrodos estimulantes (ex: electromodulação medular).
O tratamento tem por objectivo a cura da dor neuropática e, consequentemente, a diminuição da incapacidade diária, o aumento da qualidade do sono e da auto-estima.
Assinala-se no dia 13 de Outubro, o Dia Mundial da Dor Neuropática.
Recomendo ainda a passagem pelo site que está a promover a campanha que inicialmente referi (http://www.dormisteriosa.com.pt/), visto que o mesmo tem alguns casos clínicos exemplificativos e disponibiliza ainda um questionário para caracterização da dor, que pode ser usado pelos doentes:
http://www.dormisteriosa.com.pt/sites/Pf